quarta-feira, 19 de julho de 2017

"A política é para crianças?" - Ciclo Memórias de Intenção Política - Por Madalena Wallenstein

“Libertem os Patos!”, disse a atriz. E, imediatamente, de um pequeno corpo político, ecoou a voz – “E os Patinhos também!” Era a voz do João (8 anos) que se manifestava durante a conversa que se seguiu ao espetáculo A minha Casa Era a Sede, espetáculo que integrou o Ciclo Memórias de Intenção Política.

Mas o que faz uma criança de 8 anos numa conversa-debate, a seguir a um espetáculo integrado num ciclo sobre política e infância? Pode dizer-se que faz o fundamental de um projeto invulgar.

O ciclo Memórias de Intenção Política trata-se de um projeto que partiu de interrogações prementes sobre programação artística para a infância e que decorreu entre janeiro e abril de 2017. Este Ciclo reuniu cinco espetáculos que partilham a transposição literária de histórias autobiográficas para um espaço performativo íntimo, explorando os temas da Liberdade, Resistência, Colonialismo, Refugiados, Revolução, Cidadania, Possibilidade de Ser.

A Minha Casa era a Sede, de Judite Canha Fernandes e Teresa Gentil
©Manuel Ruas Moreira


Um Mini-Museu Vivo de Memórias do Portugal Recente, sobre processos de transmissão de memória política, de Joana Craveiro/Teatro do Vestido, dirigido a jovens: a partir das memórias das pessoas, aborda-se a ditadura portuguesa de 1926-1974, a revolução de 25 de Abril de 1974 e o processo revolucionário de 1974-76.

Tem havido nos últimos tempos, em Portugal, a emergência de inúmeras manifestações artísticas nas áreas do teatro, literatura e cinema que procuram desobstruir o silêncio sobre a perseguição da ditadura do estado-novo, a guerra colonial, a revolução ou o processo de descolonização, criadas por artistas que não eram nascidos na época e que, por isso, não viveram esses acontecimentos. Um Mini-Museu Vivo de Memórias do Portugal Recente propõe-se ativar esse diálogo intergeracional. O espetáculo começa com a pergunta: “Quanto tempo é preciso passar para que possamos falar sobre isto?”. Joana Craveiro monta o espetáculo a partir de uma profunda investigação das histórias de anónimos que as viveram. “O que me tem interessado reflectir é sobre este espaço comunitário de possibilidades, de troca, de encontro intergeracional – de confronto, por vezes – e de possibilidade de reconciliação…”(Joana Craveiro, 2016).

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Excerto do documentário Política por Crianças, realizado por Miguel Oliveira (14 anos).



Terra Sonâmbula, de Nuno Pino Custódio e Rosinda Costa a partir do romance de Mia Couto: a humanidade de um rapaz e de um velho que atravessam geografias da guerra em Moçambique.

A ação passa-se “Em lugar onde a guerra tinha morto até à estrada, um velho e um miúdo que procura os seus pais, seguem caminho, bombaleantes...”. No espetáculo, a atriz Rosinda Costa só faz uso da voz e do corpo para evocar esses espaços, tempos, personagens, emoções e ações. “Eu não faço o espetáculo para vocês, faço o espetáculo com vocês, com as imagens que a vossa imaginação produz  a partir dos gestos e das palavras que vos ofereço.”, disse Rosinda Costa numa conversa com os espectadores a seguir à apresentação de  Terra Sonâmbula.

Rosinda Costa em Terra Sonâmbula
©Manuel Ruas Moreira


A Minha Casa Era a Sede, um espetáculo de Judite Canha Fernandes e Teresa Gentil: histórias contadas a partir de infâncias passadas na clandestinidade política e na ruralidade católica.

O espetáculo parte de um conto de Judite Canha Fernandes sobre a sua infância. Filha de um casal de operários, agentes políticos clandestinos de um partido da resistência à ditadura portuguesa, conta o que é viver escondido e desejar fazer uma pequena revolução. Conta como transgrediu a transgressão dos pais que não iam à igreja quando, no desejo de se aproximar do comum do qual as amigas faziam parte, foi clandestinamente à missa com a irmã e provou a hóstia. Parece distante, mas há uma aproximação ao contexto histórico recente e, adicionalmente, as crianças sabem o que é estar escondido ou estar preso. As crianças também têm de se libertar das suas infâncias limitativas.




Cartas de Damasco pôs-se em cena a partir de e-mails trocados entre duas jovens que se conhecem pela internet, Ana Lázaro, encenadora e Leen Rihawi, uma jovem de Damasco que sonha ser escritora.

O espetáculo coloca os jovens espectadores em relação com a informação que já conheciam das notícias sobre a guerra na Síria e refugiados.  As crianças e jovens ouvem estas notícias mesmo que ao longe. O assunto, no espetáculo, é proposto a partir de uma perspetiva empática e envolvente: a Internet é a paisagem de relação entre as duas personagens: Ana, a jovem encenadora portuguesa, e Leen, a jovem de Damasco que quer ser escritora. Assistem ao acontecimento do encontro casual entre elas através da vídeo-projeção de um ecrã de computador e à amizade e cumplicidade a ser arquitetada no decorrer da narrativa, “Apesar de nunca se terem visto. Apesar de nunca se terem conhecido pessoalmente”. Os espectadores reconhecem-se nesse universo. Ficam silenciosos e suspensos e espreitam com curiosidade para dentro do reconhecido e do novo quando Ana e Leen contam sobre a troca de referências musicais entre elas, sobre como são os dias de uma jovem numa cidade em guerra onde caem bombas, sobre ir à escola mesmo assim, sobre os dias sem água nem eletricidade, sobre ser árabe mas não usar hijab (lenço na cabeça), sobre as roupas de que gosta ou os sonhos que sonha para o seu futuro, sobre a falta de liberdade. Contam como na Síria é perigoso pôr likes no Facebook porque desapareceram pessoas por causa disso ou como Leen se vê  a escrever e-mails à Ana por código.




Agora Eu Era é um espetáculo-oficina de Pedro de Moura que explora possibilidades de ser e a participação numa cidade.




O projeto de programação da Fábrica das Artes fundou-se a partir de sucessivas experiências que se propunham desinstalar conceções de infância, arte e educação naturalizadas e institucionalizadas para ensaiar alternativas, explorando relações entre estes conceitos e desenvolvendo uma educação artística cuja experiência estética decorresse no interior de uma arte contemporânea vital e implicada com o mundo e com a vida. Educar para as artes é, para nós, educar nas artes. No interior de uma programação artística de uma instituição cultural é possível criar situações que gerem fissuras nas conceções estereotipadas e naturalizadas de arte para a infância e numa dimensão educativa tradutora, didática, explicativa ou de entretenimento, de modo a reconfigurar a sua perceção e significação. A investigação que desenvolvemos é a exploração destas ideias no campo da programação artística para a infância.

O ciclo Memórias de Intenção Política foi uma dessas experiências. Para a realizar convidámos artistas a criar objetos artísticos na área das artes performativas sobre temas políticos. Escolhemos artistas que, no seio do seu trabalho, tivessem condições para assumir perspectivas que levassem a problematizar as infâncias e a considerá-las na construção e comunicação da sua arte. Queríamos ensaiar proximidades entre juventude, política e participação.

Para que esta experiência de programação tornasse mais profundas as zonas de exploração de proximidade aos espectadores, tomámos as narrativas autobiográficas como detonador artístico para a implicação dos jovens espectadores. O trabalho artístico autobiográfico joga numa fronteira ténue entre realidade e ficção, relacionando e ampliando as questões contemporâneas que encontram ressonância nos espectadores.

O sentido político que se inscreve no conjunto destes cinco espetáculos passa pela atualidade política que os temas propõem ou pela ressonância histórica que estes têm no presente.

Ao autorizar a infância a um universo temático que normalmente lhe é vedado, estamos a redistribuir relações de poder e a propor inscrever uma comunidade de iguais e de simultâneos, porque a simultaneidade das vozes é que é a assembleia. Esta comunidade constrói-se, não por critérios etários, mas a partir da vivência de uma experiência sensível comum que agrega muitas idades em redor de um objeto artístico contemporâneo - uma arte vital que não separa a arte e a vida. Desmantela-se mais esta fronteira e desinstalam-se pressupostos que encerram a infância em si mesma. Dá-se um passo afirmativo face à dimensão política da arte e da infância.


Nota: este texto foi elaborado com base no artigo "As vozes da infância numa comunidade artística" (Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa, maio de 2017) e na palestra "A política não é para crianças?" apresentada em Paris, em junho deste ano, na 12ª Conferência Internacional Arts in Society, ambos assinados pela autora.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

A Fábrica das Artes em Fevereiro

INsono
Sonoscopia

Durante o mês de fevereiro, a Sonoscopia vai deixar a sua base no Porto e montar tenda no CCB onde irá apresentar uma variedade de actividades centradas na instalação interactiva INsono.

(Reservas: 213 612 899 ou fabricadasartes@ccb.pt)

INsono - Instalação interactiva durante o festival Big Bang LX 2015
(c)Miguel Tavares

INsono
Instalação interactiva - 7 a 12, 14 a 19, 21 a 26 Fev - M/5

INsono é uma instalação sonora interativa e um percurso sensorial. É um espaço habitado por um conjunto de objetos/esculturas sonoras acústicas e eletrónicas que convida os participantes à descoberta dos sons interiores sentidos e imaginados em todo o espaço.

INsono - Microscopia Sonora
Laboratório de formação - Entre a Arte e a Educação - 11, 18 e 25 Fev - Adultos

Nesta formação da Sonoscopia pretende-se revelar novos sons, presentes no nosso quotidiano mas que frequentemente são camuflados pelos sons de forte intensidade, recorrendo a diferentes formas de audição e de amplificação sonora. Com os formadores Gustavo Costa, Henrique Fernandes, Tiago Ângelo e Rodrigo Malvar.

Pensando o projeto INsono: Sinergias possíveis entre artistas e educadores
Mesa Redonda - À conversa com... - 16 Fev - Adultos

Madalena Wallenstein, Ana Veloso, Graça Mota e Henrique Fernandes propõem abordar nesta mesa redonda o tema da educação artística, pensando nas pontes que podem ser estabelecidas entre o trabalho feito pelos artistas em contextos não formais e informais e o trabalho que é levado a cabo por professores e por educadores no dia a dia da escola.

INsono: a microscopia sonora e os sons interiores
Mesa Redonda - À conversa com... - 23 Fev - Adultos

Neste seminário estará em debate a importância da microscopia sonora na descoberta de novos sons e de novas formas de expressão musical, a sua importância na aprendizagem do som, nas formas de imaginação sonora e no estabelecimento de linguagens musicais pessoais. Com Madalena Wallenstein, Paulo Rodrigues e Gustavo Costa.

INsono - Instalação interativa durante o festival Big Bang LX 2015
(c)Manuel Ruas Moreira
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Qual é o som da tua cara?
António Jorge Gonçalves e Filipe Raposo
Concerto para piano e desenho - 10, 11 e 12 Fev - M/5


Qual é o som da tua cara? De António Jorge Gonçalves e Filipe Raposo
(c)Alfredo Rocha / António Jorge Gonçalves

Levando mais longe a cumplicidade construída no espetáculo 4 Mãos (Festival Big Bang LX 2015), o pianista Filipe Raposo e o desenhador António Jorge Gonçalves regressam com um jogo de improvisação ao vivo inspirado em retratos e autorretratos criados por crianças do Centro de Educação e Desenvolvimento Jacob Rodrigues Pereira com quem os artistas trabalharam em janeiro.

Aluna do CED Jacob Rodrigues Pereira durante sessão de trabalho com os artistas.
(c)Manuel Ruas Moreira

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CICLO MEMÓRIAS DE INTENÇÃO POLÍTICA
A minha casa era a sede
Teresa Gentil, Judite Canha Fernandes e Cláudia Gaiolas
Espectáculo de teatro e música - 14 a 19, 21 a 26 Fev - M/6

(Reservas: 213 612 899 ou fabricadasartes@ccb.pt)

Teresa Gentil e Judite Canha Fernandes - A minha casa era a sede
(c)Teresa Gentil
A Minha Casa Era a Sede é uma performance musical de Judite Canha Fernandes e Teresa Gentil, construída a partir de memórias e cruzando duas histórias de infâncias. Esta é uma história de duas meninas, duas amigas para sempre, que se amam muito, a quem lhes dizem que há coisas de meninas, coisas que elas nunca chegam a perceber.

Judite Canha Fernandes em ensaios para A minha casa era a sede
(c)Manuel Ruas Moreira

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Orquestra Sinfónica Portuguesa - Direcção musical de Pedro Neves
Concerto comentado - 20 de Fevereiro - M/6


Orquestra Sinfónica Portuguesa, Maestro Pedro Neves
(c)David Rodrigues

Concerto comentado, destinado aos mais novos, integrado numa parceria entre a Fábrica das Artes e a Orquestra Sinfónica Portuguesa para 2017. Neste dia propõe-se a descoberta da Sinfonia n.º 3 Escocesa, de Felix Mendelssohn, composta após uma visita do compositor alemão à Escócia, tendo assimilado várias influências da música popular escocesa. 



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Música pra Ti - Instrumentos improváveis
Thierry Madiot - Lutherie Urbaine
Mini-concerto com conversa - 25 Fev - M/6


Thierry Madiot
Este concerto oferece-se como um momento intimista, para descobrir instrumentos improváveis. Thierry Madiot é um artista sonoro e construtor de instrumentos insólitos. Toca trombone baixo, tubos telescópicos, cria instalações sonoras e faz massagens sonoras.



Para mais informação, consulte a programação da Fábrica das Artes na página do CCB.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A Fábrica das Artes em Janeiro

Passadas as interrupções de final de ano, as actividades da Fábrica das Artes regressam esta semana com uma programação intensiva e muito variada.

Literatura, dança, música e teatro para miúdos, para muito-miúdos, para miúdos-mas-não-tanto, para jovens e para graúdos vão encher vários espaços do CCB. De 18 a 29 de Janeiro, oferecemos um bocadinho de tudo, para todos, com brilhantes artistas portugueses e estrangeiros.


A Palavra Perdida
Inês Fonseca Santos e Marta Madureira
Oficina de Escrita Criativa - 18 a 22, 25 a 29 de Janeiro - M/7 anos
Formação - Entre a Arte e a Educação - 21 de Janeiro - Adultos

(Reservas: 213 612 899 ou fabricadasartes@ccb.pt)
A Palavra Perdida 
(c)Marta Madureira
A Palavra Perdida é uma oficina de escrita criativa e ilustração centrada num personagem, o Manuel, que perdeu uma palavra, mas não sabe qual. Inês Fonseca Santos e Marta Madureira partem assim do primeiro livro para a infância da escritora Inês Fonseca Santos e vão escrever, desenhar, inventar e imaginar o que for preciso para descobrir junto das crianças que palavra foi essa que o Manuel perdeu.

Marta Madureira e Inês Fonseca Santos
(c)Ana Lopes Gomes


A Princesa e a Ervilha
Siri Dybwik
Performance interactiva - 21 a 29 de Janeiro - 3 aos 5 anos

(Reservas: 213 612 899 ou fabricadasartes@ccb.pt)
A Princesa e a Ervilha, de Siri Dybwik
(c)Morten Berentsen
A companhia norueguesa Dybwikdans convida crianças e pais a entrar no belo conto de fadas A Princesa e a Ervilha, de Hans Christian Andersen. Nesta versão da autoria de Siri Dybwik, o grupo de dança leva-nos numa viagem mágica, na qual as crianças são encorajadas a usar a sua própria imaginação e a sua criatividade.

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Música pra Ti - Instrumentos Improváveis
Pamelia Stickney 
Mini-concerto com conversa - 21 de Janeiro - M/6


Pamelia Stickney
Durante o primeiro semestre de 2017 os miniconcertos Música pra Ti continuarão a programação centrada no tema "Instrumentos Improváveis" que foi iniciada em Novembro por Eli Gras. Em Janeiro, a artista norte-americana Pamelia Stickney vai maravilhar-nos com um instrumento muito particular, o teremim, uma caixa eletrónica com duas antenas à volta das quais a artista movimenta as mãos, nunca lhes tocando, criando assim sons peculiares. No final, Pamelia responderá às perguntas do público curioso.





Ciclo Memórias de Intenção Política
Terra Sonâmbula
Nuno Pino Custódio (a partir de Mia Couto)
Espectáculo de teatro - 26 a 29 de Janeiro - M/12


Rosinda Costa em Terra Sonâmbula
(c)Pantunes Photo
Terra Sonâmbula é uma adaptação teatral do romance homónimo de Mia Couto, com encenação de Nuno Pinto Custódio e interpretação de Rosinda Costa, além da participação de Alexandre Barata como músico. Um espetáculo dirigido a todas as infâncias, onde um velho e um miúdo procuram os seus pais, numa terra marcada pela guerra.
Terra Sonâmbula insere-se no Ciclo de Memórias de Intenção Política, a decorrer entre Janeiro e Março no CCB (mais informação aqui).



Para mais informação, consulte a programação da Fábrica das Artes na página do CCB.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Grande Invasão - Exposição, oficina e formação

Depois da apresentação do espetáculo/conferência A Grande Invasão, no início de Novembro, a Companhia Caótica continuou a sua incursão na Fábrica das Artes do CCB com uma exposição, uma oficina e uma formação dedicadas ao fenómeno das Sereias de Alcochete relatado no espectáculo (mais informação aqui).

Na exposição Novas Sereias: Mitos, ritos e ditos
(c)Manuel Ruas Moreira

Num cenário reminiscente de um museu de história natural, os visitantes eram levados numa visita guiada apresentada num registo factual que descrevia vários aspectos do mundo das sereias, do seu habitat à anatomia, dos rituais de acasalamento aos rituais funerários.


Na exposição o público pôde apreciar ilustrações da autoria do sereio Kru (na verdade ilustradas pelo artista plástico Antoine Blanquart) que representavam várias facetas das vidas e da cultura das sereias. Também à vista do público estavam réplicas das chamadas bracilagens, um elemento da anatomia sereica descrito na exposição como "uma espécie de barbatana que cresce no antebraço das sereias. Trata-se de um 'diário intímo' orgânico que cresce ao longo da vida delas e onde todos os acontecimentos afetivos, familiares e amorosos ficam marcados num código que os especialistas começaram há pouco tempo a decifrar".



Réplica de bracilagem na exposição Novas Sereias: Mitos, ritos e ditos

Na oficina A Minha Bracilagema decorrer em paralelo com a exposição e com coordenação de Caroline Bergeron e Catarina Mota, crianças e adultos puderam desenhar as suas próprias bracilagens, recorrendo à experiência para criar mapas de vida exclusivos de cada um. Na formação A Fronteira - Realidades ficcionadas os participantes ficaram a conhecer os processos da companhia e, como explica a sinopse, puderam "viver, de forma transversal, essa vivacidade do espaço de fronteira entre a realidade a ficção."

Durante pouco mais de duas semanas, com a exposição, a oficina e a formação, a Caótica deu seguimento ao tema do espectáculo e, tal como na performance, sempre fazer um exercício de equilíbrio entre o que é real e o que é invenção, deixando muitas vezes no ar a pergunta "isto é mesmo a sério?"


Crianças desenham as suas próprias bracilagens na oficina A Minha Bracilagem
(c)Manuel Ruas Moreira



Ficha artística da exposição
Textos Dr.ª Caroline Bergeron com participação especial do Dr. Pedro Prista / Curadoria Dr.ª Caroline Bergeron / Curadoria e apoio à superfície Antoine Blanquart / Ilustrações Sereio Cru / Fotografias Guilherme Pina / Design Gráfico Paulo Fernandes / Informações Adicionais Catarina Santana e Sereia Cri / Captações sonoras António-Pedro / Produção submarina Caixote Rebelde / Escafandrista Miguel Antunes / Réplicas de bracilagens e krups Catarina Mota

Apoio e orientação Catarina Mota, Marta Azenha, Manuel Moreira e Filomena Rosa

Coprodução da exposição CCB/Fábrica das Artes



Na exposição Novas Sereias: Mitos, ritos e ditos
(c)Manuel Ruas Moreira

sábado, 3 de dezembro de 2016

A Grande Invasão - O espectáculo

Durante o mês de Novembro, a Fábrica das Artes do CCB foi o epicentro de uma invasão de Sereias comandada pela Companhia Caótica, a mesma companhia que nos presenteou no passado com o brilhante Sopa Nuvem.

Catarina Santana no espectáculo/conferência A Grande Invasão
(c)Manuel Ruas Moreira

A incursão começou com A Grande Invasão, um espetáculo da autoria de Caroline Bergeron que relata a chegada de um grupo de sereias à vila de Alcochete e a sua consequente encarceração pelo Instituto Nacional dos Oceanos. Apresentado em formato de conferência, com a actriz Catarina Santana no papel de conferencista e Jochen Pasternacki na operação de luz e vídeo, este espectáculo que teve estreia nacional na Culturgest, em Março deste ano, enquadra-se perfeitamente no estilo que tem vindo a caracterizar a Caótica. Aliás, nada melhor do que a própria companhia para o explicar:

"[...] a Caótica desafia com humor e delicadeza as fronteiras entre realidade/ficção e plateia/palco, criando espectáculos totais como a vida, nos quais artistas e espectadores partilham juntos um momento único e irrepetível."
(Texto retirado da página da Companhia Caótica)


Jochen Pasternacki e Caroline Bergeron durante os ensaios de A Grande Invasão
(c)Manuel Ruas Moreira 
Poucos dias depois, a Fábrica das Artes acolheu também uma exposição, uma oficina e uma formação (coordenadas por Caroline Bergeron, com apoio de Catarina Mota) onde o público pôde descobrir (para quem não tinha visto o espectáculo) ou aprofundar conhecimento sobre (para quem viu) o estranho acontecimento das Sereias de Alcochete.

Mas isso é conversa para depois, quando voltarmos com "A Grande Invasão - Exposição, oficina e formação".

Entretanto, ainda agora terminou e a Companhia Caótica já está em Bruxelas para apresentar A Grande Invasão no teatro La Montagne Magique.



Da folha de sala de
A Grande Invasão

A Grande Invasão é um documentário ao vivo que confunde alegremente e sem vergonha a ciência e a fantasia, criando uma impostura jubilatória que ridiculariza suavemente a nossa maneira de viver.
Uma mãe, conferencista, testemunha e documenta, por intermédio de fotografias, ilustrações e vídeos, o seu encontro e vivência quotidiana com um grupo de Sereias que provocou uma epidemia junto daqueles que estiveram em contacto com elas na vila de Alcochete.
De relato documentado, o objetivo da conferência transforma-se num pedido de ajuda ao espectador que é convidado a assinar uma petição que liberte as Sereias da tutela do Instituto Nacional dos Oceanos, onde estão confinadas para investigação.


Criação, direção artística e encenação Caroline Bergeron / Interpretação e colaboração na dramaturgia Catarina Santana / Operação de luzes e vídeo Jochen Pasternacki
Participação em vídeo e fotografia Catarina Santana, Paula Diogo de Carvalho, Maila Dimas, Vasco Diogo, Miguel Antunes, Francisco Campos, Nicolas Brites, Cláudia Andrade e Gaspar Vasques / Ilustrações Antoine Blanquart / Ambiente sonoro António-Pedro e Gaspar Vasques / Realização vídeo António Pedro / Edição, montagem e efeitos especiais Guilherme Pina 
Produção Companhia Caótica / Produção Executiva Stage One / Residência Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo, Portugal) 
Coprodutores Fundação Culturgest (Lisboa,Portugal), Centro Cultural Vila Flôr (Guimarães, Portugal), Teatro Municipal da Guarda (Portugal), Centre Culturel Pablo Picasso (Homécourt, França) e Théâtre de Villeneuve les Maguelonne (França), Ligue de l’Enseignement (França)
Espetáculo coproduzido no âmbito da Rede 5 Sentidos




sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 4: 2016 (Pop/Rock)

Esta é a quarta e última parte de uma retrospectiva dedicadas a revisitar os artistas que já passaram pelo programa Música pra Ti promovido pela Fábrica das Artes do Centro Cultural de Belém,

A primeira, "Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 1: 2013", pode ser vista aqui.
A segunda, "Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 2: 2014", pode ser vista aqui.
E a terceira, "Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 3: 2014/2015 (Música do Mundo)", pode ser vista aqui.

Depois de três anos de música clássica, jazz e música do mundo, no primeiro semestre de 2016 o palco Música pra Ti dedicou-e ao pop/rock nacional.


Música pra Ti, Janeiro a Junho de 2016
Pop/Rock

6 de Fevereiro, 2016 - Rita Redshoes
Rita Redshoes - Fevereiro, 2016
(c)Manuel Ruas Moreira


5 de Março, 2016 - Noiserv (AKA David Santos)
David Santos, AKA Noiserv - Março, 2016
(c)Manuel Ruas Moreira


2 de Abril, 2016 - Samuel Úria
Samuel Úria - Abril, 2016
(c)Manuel Ruas Moreira


4 de Junho, 2016 - Manuela Azevedo e Manuel Gonçalves
Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves - Junho, 2016
(c)Manuel Ruas Moreira

No passado sábado, 26 de Novembro, a música/compositora/inventora catalã Eli Gras (mais informação e imagens aqui) abriu uma nova vaga de miniconcertos Música pra Ti, desta vez dedicados ao tema “Instrumentos Improváveis”. Depois de Eli Gras, até ao final de Junho do ano que vem, a Fábrica das Artes do CCB, em parceria com a Sonoscopia, vai acolher músicos nacionais e internacionais que têm feito do mundo o seu laboratório de pesquisa sonora: Pamelia Stickney (EUA), Tierry Madiot (França), Vincent Martial (França), Sonoscopia – Henrique Fernandes e Gustavo Costa (Portugal) e Hanna Hartman (Suécia).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 3: 2014/2015 (Música do Mundo)

Esta é a terceira de quatro partes dedicadas a revisitar os artistas que já passaram pelo programa Música pra Ti promovido pela Fábrica das Artes do Centro Cultural de Belém,

A primeira, "Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 1: 2013", pode ser vista aqui.
E a segunda, "Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 2: 2014", pode ser vista aqui.

Depois de um ano e meio dedicado à música clássica e ao jazz, no final de 2014 o palco "Música pra Ti" abriu as portas ao mundo. Ou, melhor dizendo, à música do mundo. Durante pouco mais de um ano, até Dezembro de 2015, fomos envolvidos por sons de África, da América do Norte, da América do Sul, da Austrália, da Ásia e, claro, da Europa.

Música pra Ti, 2014/2015
Música do Mundo

1 de Novembro, 2014 - Nataniel Rego (percussão)
Nataniel Rego - Novembro, 2014 / (c)Manuel Ruas Moreira


6 de Dezembro, 2014 - Mário Delgado (guitarra)
Mário Delgado - Dezembro, 2014 / (c)Manuel Ruas Moreira


31 de Janeiro, 2015 - Mestre José Galissa (corá)
José Galissa - Janeiro, 2015 / (c)João Silveira Ramos


28 de Fevereiro, 2015 - Edu Miranda (bandolim, cavaquinho, viola) e Carlos Lopes (acordeão) - Infelizmente, não temos imagens deste concerto.


14 de Março, 2015 - Rodrigo Viterbo (didgeridoo) e Rui Miguel Aires (guitarra e handpan)
Rodrigo Viterbo e Rui Miguel Aires - Março, 2015 / (c)Manuel Ruas Moreira


4 de Abril, 2015 - Syrínx XII: Katharine Rawdon e António Carrilho (flautas)
Syrínx XXII (Katharine Rawdon e António Carrilho) - Abril, 2015 / (c)Manuel Ruas Moreira


2 de Maio, 2015 - Paulo Sousa (sitar)
Paulo Sousa - Maio, 2015 / (c)João Silveira Ramos

6 de Junho, 2015 - Elizabeth Davis (gamelão)
Elizabeth Davis - Junho, 2015 / (c)Manuel Ruas Moreira


7 de Novembro, 2015 - Carlos Guerreiro (sanfona)
Carlos Guerreiro - Novembro, 2015 / (c)Manuel Ruas Moreira

5 de Dezembro, 2015 - Pedro Jóia (guitarra portuguesa) - Infelizmente, não temos imagens deste concerto.


Já a seguir: Música pra Ti - Retrospectiva - Parte 4: 2016 (pop/rock)