segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Big Bang LX17 - O resumo

Já se passou uma semana desde o fim da oitava edição do Festival Big Bang e é agora uma boa altura para rever alguns dos pontos altos desta grande festa.




sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Big Bang LX17 - O primeiro dia

Aqui fica uma curta espreitadela ao primeiro dia da oitava edição portuguesa do Big Bang - Festival Europeu de Música e Aventura para um Público Jovem, que começou hoje.



Amanhã há mais!

Embaixadores Big Bang LX17 - As entrevistas antes da grande explosão

Já se ouvem os sons da grande explosão musical nos corredores do CCB. O Big Bang - Festival Europeu de Música e Aventura para um Público Jovem arrancou hoje e continuará até amanhã, com vários concertos e instalações para crianças e adultos-criança de todas as idades.

O Embaixador João Maria entrevista Elísio Summavielle, Presidente da Fundação CCB


Durante os três dias que antecederam o início do festival, os Embaixadores Big Bang entrevistaram uma dezena de pessoas para descobrir como se faz um Big Bang e o que fazem as equipas do CCB.

Ontem, os Embaixadores conversaram com Elísio Summavielle, Presidente da Fundação Centro Cultural de Belém, Paulo Santana, Chefe de Manutenção, Paulo Fernandes e Paula Cardoso, do Gabinete Gráfico, e Manuel Moreira, da Fábrica das Artes.








quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Big Bang LX17 - As primeiras entrevistas dos Embaixadores

O projeto Embaixadores é uma iniciativa desenvolvida em edições do Festival Big Bang pela Europa fora e que convida crianças a integrar as equipas de comunicação de cada instituição.


Embaixadores Big Bang LX17 - João Maria
(c)Manuel Ruas Moreira

Este ano em Lisboa, os Embaixadores serão coordenados pela equipa da Rádio Miúdos, a primeira rádio para crianças em português, um projeto premiado encontrado exclusivamente online (www.radiomiudos.pt).

Embaixadores Big Bang LX17

Barbara Teixeira
Daniel Serras
Gaspar Vasques
João Maria Alves
Leonor Tapadas
Madalena Costa
Maria Castelo-Branco
Maria Fernandes
Vicente Salgado
Vicente Ornelas


Depois de uma formação decorrida em setembro, na Fábrica das Artes, os Embaixadores são agora uma sólida equipa de reportagem. Dessa experiência resultarão várias entrevistas e reportagens com emissão na Rádio Miúdos e publicadas aqui no blogue da Fábrica das Artes.

Agora, na semana que antecede o festival e nos dias do evento, os Embaixadores Big Bang estão no terreno a entrevistar artistas, público e equipas do CCB, assim como a dar apoio e acolher o público do festival.

Hoje, amanhã e no dia a seguir, a partir das 15h00, podem ouvir os Embaixadores em direto na Rádio Miúdos com emissão a partir do CCB.

Entretanto, nos primeiros dias de missão, os Embaixadores já entrevistaram uma dezena de pessoas e algumas dessas entrevistas já estão disponíveis online:











quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Big Bang LX 2017 - O festival de música para todas as infâncias está de volta - 20 e 21 de Outubro

Dêem corda aos sapatos!

Ouvidos alerta!

Olhos bem arregalados!




O Festival Big Bang regressa já no próximo fim-de-semana, dias 20 e 21 de Outubro, para a oitava edição portuguesa. Esta será uma viagem aliciante, de descoberta partilhada, para crianças entre os 4 e os 12 anos e para os adultos que as acompanham.

O BIG BANG é um projeto internacional que iniciou a sua atividade em 2010. Através deste projeto, o CCB / Fábrica das Artes tem aberto um espaço para que artistas portugueses possam criar novas abordagens artísticas à música para crianças e ver o seu trabalho reconhecido dentro do país e pela Europa fora.

Este festival parte de uma iniciativa da Zonzo Compagnie e visa a criação de uma plataforma de encontro de compositores, músicos, performers e dos seus projetos de criação, tanto portugueses como europeus, de forma a estimular quem participa e a contribuir para o desenvolvimento da produção e da apresentação de música não comercial para crianças.


Durante dois dias, vamos poder ver e ouvir:

Nocturno | Joana Gama e Victor Hugo Pontes

Futurina | Sonoscopia

3ACH - A stairway to heaven | Zonzo Compagnie (BE)

Quarto da Joana | Joana Guerra

Extension | Vincent Martial (FR)

Como dormirão meus olhos | Filipe Faria e Pedro Castro

Tocá Rufar | Orquestra Tocá Rufar

Jukebox e Caixa de Ressonância | Ofício das Artes



Mais informação e bilhetes disponíveis na página do CCB.

Preços do Festival
Sexta-feira - Cada atividade 2€
Sábado - Cada atividade 4€



Parceiros internacionais da Rede Big Bang

Zonzo Compagnie Bélgica / CCB Portugal / Bozar – Palais des Beaux-Arts Bélgica / Bijloke Muziekcentrum Bélgica / deSingel Bélgica / Opéra de Lille França / KinderKinder Alemanha / Onassis Cultural Centre Grécia / Stavanger Konserthus Noruega / Instituto de la Cultura y las Artes del Ayuntamiento de Sevilla (ICAS) Espanha

sábado, 30 de setembro de 2017

A Biblioteca de Livros Viajantes já deu 365 voltas ao eixo da Terra

A Biblioteca de Livros Viajantes da Fábrica das Artes está de parabéns.

Esta semana marcou o 1º aniversário deste pequeno projeto que nos é tão querido e que, desde a sua inauguração a 29 de Setembro do ano passado, tem sido um enorme sucesso. Até hoje já registámos a entrada de perto de 700 títulos e a saída de 415 da nossa estante “plantada” no Jardim das Oliveiras do CCB. O número exato de livros que nos visitaram é impossível de calcular porque muitos títulos entram e saem da biblioteca repetidamente e outros chegam e partem sem que haja tempo para registar a sua passagem.

Biblioteca de Livros Viajantes desenhada por Paulo Fernandes
Fotografia ©Manuel Ruas Moreira


A Biblioteca de Livros Viajantes é uma iniciativa inserida no projeto internacional Little Free Library que funciona sob o sistema “leve um livro, traga um livro”. Existem Little Free Libraries em mais de 70 países de todo o mundo (incluindo uma mão cheia delas em Portugal), com os mais diversos tamanhos e feitios, sempre com o objetivo de promover a partilha de livros e, consequentemente, o prazer pela leitura.

Ao criarmos a pequena Biblioteca de Livros Viajantes pretendemos mais do que simplesmente fornecer um ponto para a troca de livros, mas também um ponto de encontro para a troca de histórias, aventuras, alegrias, tristezas, gostos, desgostos e paixões. Nesse sentido, este tem também sido o ponto de partida para algumas das iniciativas da Fábrica das Artes, como é o caso da formação Livros Infantis – Roteiro para uma boa viagem, coordenada por Dora Batalim e que irá decorrer durante o mês de Novembro.

Parte do trabalho de manutenção da Biblioteca passa por registar a entrada e saída de livros, repor livros quando há poucos ou retirar quando está muito cheia (o que às vezes também acontece) e fazer alguma triagem para garantir que existe uma seleção relativamente variada e, tanto quanto possível, de qualidade.

Com uma média superior a um livro por dia a partir destas prateleiras, é necessário ter um bom arquivo e, felizmente, temos recebido algumas doações generosas (não só em propósito como em quantidade). Mas, se tiverem livros que já não queiram ou livros que gostassem de partilhar com o mundo, podem fazer como o Mário Laginha, o Filipe Raposo e o António Jorge Gonçalves e deixá-los connosco que continuaremos a fazê-los chegar a outros amantes da leitura.










quarta-feira, 19 de julho de 2017

"A política é para crianças?" - Ciclo Memórias de Intenção Política - Por Madalena Wallenstein

“Libertem os Patos!”, disse a atriz. E, imediatamente, de um pequeno corpo político, ecoou a voz – “E os Patinhos também!” Era a voz do João (8 anos) que se manifestava durante a conversa que se seguiu ao espetáculo A minha Casa Era a Sede, espetáculo que integrou o Ciclo Memórias de Intenção Política.

Mas o que faz uma criança de 8 anos numa conversa-debate, a seguir a um espetáculo integrado num ciclo sobre política e infância? Pode dizer-se que faz o fundamental de um projeto invulgar.

O ciclo Memórias de Intenção Política trata-se de um projeto que partiu de interrogações prementes sobre programação artística para a infância e que decorreu entre janeiro e abril de 2017. Este Ciclo reuniu cinco espetáculos que partilham a transposição literária de histórias autobiográficas para um espaço performativo íntimo, explorando os temas da Liberdade, Resistência, Colonialismo, Refugiados, Revolução, Cidadania, Possibilidade de Ser.

A Minha Casa era a Sede, de Judite Canha Fernandes e Teresa Gentil
©Manuel Ruas Moreira


Um Mini-Museu Vivo de Memórias do Portugal Recente, sobre processos de transmissão de memória política, de Joana Craveiro/Teatro do Vestido, dirigido a jovens: a partir das memórias das pessoas, aborda-se a ditadura portuguesa de 1926-1974, a revolução de 25 de Abril de 1974 e o processo revolucionário de 1974-76.

Tem havido nos últimos tempos, em Portugal, a emergência de inúmeras manifestações artísticas nas áreas do teatro, literatura e cinema que procuram desobstruir o silêncio sobre a perseguição da ditadura do estado-novo, a guerra colonial, a revolução ou o processo de descolonização, criadas por artistas que não eram nascidos na época e que, por isso, não viveram esses acontecimentos. Um Mini-Museu Vivo de Memórias do Portugal Recente propõe-se ativar esse diálogo intergeracional. O espetáculo começa com a pergunta: “Quanto tempo é preciso passar para que possamos falar sobre isto?”. Joana Craveiro monta o espetáculo a partir de uma profunda investigação das histórias de anónimos que as viveram. “O que me tem interessado reflectir é sobre este espaço comunitário de possibilidades, de troca, de encontro intergeracional – de confronto, por vezes – e de possibilidade de reconciliação…”(Joana Craveiro, 2016).


Excerto do documentário Política por Crianças, realizado por Miguel Oliveira (14 anos).



Terra Sonâmbula, de Nuno Pino Custódio e Rosinda Costa a partir do romance de Mia Couto: a humanidade de um rapaz e de um velho que atravessam geografias da guerra em Moçambique.

A ação passa-se “Em lugar onde a guerra tinha morto até à estrada, um velho e um miúdo que procura os seus pais, seguem caminho, bombaleantes...”. No espetáculo, a atriz Rosinda Costa só faz uso da voz e do corpo para evocar esses espaços, tempos, personagens, emoções e ações. “Eu não faço o espetáculo para vocês, faço o espetáculo com vocês, com as imagens que a vossa imaginação produz  a partir dos gestos e das palavras que vos ofereço.”, disse Rosinda Costa numa conversa com os espectadores a seguir à apresentação de  Terra Sonâmbula.

Rosinda Costa em Terra Sonâmbula
©Manuel Ruas Moreira


A Minha Casa Era a Sede, um espetáculo de Judite Canha Fernandes e Teresa Gentil: histórias contadas a partir de infâncias passadas na clandestinidade política e na ruralidade católica.

O espetáculo parte de um conto de Judite Canha Fernandes sobre a sua infância. Filha de um casal de operários, agentes políticos clandestinos de um partido da resistência à ditadura portuguesa, conta o que é viver escondido e desejar fazer uma pequena revolução. Conta como transgrediu a transgressão dos pais que não iam à igreja quando, no desejo de se aproximar do comum do qual as amigas faziam parte, foi clandestinamente à missa com a irmã e provou a hóstia. Parece distante, mas há uma aproximação ao contexto histórico recente e, adicionalmente, as crianças sabem o que é estar escondido ou estar preso. As crianças também têm de se libertar das suas infâncias limitativas.




Cartas de Damasco pôs-se em cena a partir de e-mails trocados entre duas jovens que se conhecem pela internet, Ana Lázaro, encenadora e Leen Rihawi, uma jovem de Damasco que sonha ser escritora.

O espetáculo coloca os jovens espectadores em relação com a informação que já conheciam das notícias sobre a guerra na Síria e refugiados.  As crianças e jovens ouvem estas notícias mesmo que ao longe. O assunto, no espetáculo, é proposto a partir de uma perspetiva empática e envolvente: a Internet é a paisagem de relação entre as duas personagens: Ana, a jovem encenadora portuguesa, e Leen, a jovem de Damasco que quer ser escritora. Assistem ao acontecimento do encontro casual entre elas através da vídeo-projeção de um ecrã de computador e à amizade e cumplicidade a ser arquitetada no decorrer da narrativa, “Apesar de nunca se terem visto. Apesar de nunca se terem conhecido pessoalmente”. Os espectadores reconhecem-se nesse universo. Ficam silenciosos e suspensos e espreitam com curiosidade para dentro do reconhecido e do novo quando Ana e Leen contam sobre a troca de referências musicais entre elas, sobre como são os dias de uma jovem numa cidade em guerra onde caem bombas, sobre ir à escola mesmo assim, sobre os dias sem água nem eletricidade, sobre ser árabe mas não usar hijab (lenço na cabeça), sobre as roupas de que gosta ou os sonhos que sonha para o seu futuro, sobre a falta de liberdade. Contam como na Síria é perigoso pôr likes no Facebook porque desapareceram pessoas por causa disso ou como Leen se vê  a escrever e-mails à Ana por código.




Agora Eu Era é um espetáculo-oficina de Pedro de Moura que explora possibilidades de ser e a participação numa cidade.




O projeto de programação da Fábrica das Artes fundou-se a partir de sucessivas experiências que se propunham desinstalar conceções de infância, arte e educação naturalizadas e institucionalizadas para ensaiar alternativas, explorando relações entre estes conceitos e desenvolvendo uma educação artística cuja experiência estética decorresse no interior de uma arte contemporânea vital e implicada com o mundo e com a vida. Educar para as artes é, para nós, educar nas artes. No interior de uma programação artística de uma instituição cultural é possível criar situações que gerem fissuras nas conceções estereotipadas e naturalizadas de arte para a infância e numa dimensão educativa tradutora, didática, explicativa ou de entretenimento, de modo a reconfigurar a sua perceção e significação. A investigação que desenvolvemos é a exploração destas ideias no campo da programação artística para a infância.

O ciclo Memórias de Intenção Política foi uma dessas experiências. Para a realizar convidámos artistas a criar objetos artísticos na área das artes performativas sobre temas políticos. Escolhemos artistas que, no seio do seu trabalho, tivessem condições para assumir perspectivas que levassem a problematizar as infâncias e a considerá-las na construção e comunicação da sua arte. Queríamos ensaiar proximidades entre juventude, política e participação.

Para que esta experiência de programação tornasse mais profundas as zonas de exploração de proximidade aos espectadores, tomámos as narrativas autobiográficas como detonador artístico para a implicação dos jovens espectadores. O trabalho artístico autobiográfico joga numa fronteira ténue entre realidade e ficção, relacionando e ampliando as questões contemporâneas que encontram ressonância nos espectadores.

O sentido político que se inscreve no conjunto destes cinco espetáculos passa pela atualidade política que os temas propõem ou pela ressonância histórica que estes têm no presente.

Ao autorizar a infância a um universo temático que normalmente lhe é vedado, estamos a redistribuir relações de poder e a propor inscrever uma comunidade de iguais e de simultâneos, porque a simultaneidade das vozes é que é a assembleia. Esta comunidade constrói-se, não por critérios etários, mas a partir da vivência de uma experiência sensível comum que agrega muitas idades em redor de um objeto artístico contemporâneo - uma arte vital que não separa a arte e a vida. Desmantela-se mais esta fronteira e desinstalam-se pressupostos que encerram a infância em si mesma. Dá-se um passo afirmativo face à dimensão política da arte e da infância.


Nota: este texto foi elaborado com base no artigo "As vozes da infância numa comunidade artística" (Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa, maio de 2017) e na palestra "A política não é para crianças?" apresentada em Paris, em junho deste ano, na 12ª Conferência Internacional Arts in Society, ambos assinados pela autora.